Citius: Finalmente ele conseguiu… Auditoria “à lá Critical”?

Afinal vale sempre a pena espalhar a fé por tudo quanto é sítio, de preferência com muita audiência, mesmo nos habituais modos disparatados do pregador, mesmo que com total desconhecimento da Bíblia,  desde que a recompensa sejam os bolsos cheios à conta do contribuinte.

Os Citius não param de aparecer, nascem que nem cogumelos. Nos últimos 5 anos já lhe conhecemos uma série de versões: Citius/H@bilus, Citius Plus, Citius Piloto, Citius Novo CPP, Citius Novo CPC, Citius Reforma do Mapa Judiciário, Citius V2, Citius V3… e agora parece que dentro de 3 anos vai existir o Citius na versão LINK. Provavelmente à semelhança do SICJ, principalmente nas suas vertentes de integração de funcionalidades, de usabilidade, de dependência funcional do produtor, de automatização de tarefas, de fiabilidade da informação, etc…

Resta acrescentar que a história se repete e que se for esta a entidade a fazer a apregoada auditoria, perdeu, desde já, toda a independência e credibilidade, uma vez que tem, objectivamente, interesse no negócio… de muitos milhões, seguramente…

A ministra da Justiça nomeou o INESC como conselheiro para o processo de manutenção e gestão do Citius. 

O Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC) foi escolhido para atuar como conselheiro da nova direção do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ) no que toca à manutenção e gestão do Citius e à evolução que a plataforma informática dos tribunais portugueses poderá vir a registar nos tempos mais próximos.

O recurso ao INESC foi hoje confirmado pela ministra da Justiça Paula Teixeira da Cruz na Assembleia da República.

José Tribolet, presidente do INESC, compara a função do instituto especializado em tecnologias com as funções do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) quando é necessário proceder à intervenção num edifício ou numa infraestrutura viária. «É a primeira vez que um governo recorre a um instituto como o INESC na área da informática», diz quando questionado pela Exame Informática.

O INESC vai começar por produzir a «fotografia do Citius», que permitirá descrever o estado em que se encontra a plataforma da Justiça. A esta «fotografia» junta-se uma missão mais complexa: «Temos um cenário para três meses, em que já elencámos as coisas que é necessário fazer para que o sistema não volte a parar. Trata-se de algo que pode acontecer, é uma hipótese que não podemos afastar. Também tempos um cenário em que identificamos as coisas que queremos fazer dentro de nove meses a um ano; e temos por fim, a missão de garantir que o sistema está em funcionamento nos próximos três anos», explica o líder do INESC, frisando que o Citius tem problemas de fundo que não se resolvem «com o lançamento de concursos e a compra de software».

A par da manutenção do Citius, o INESC deverá ainda ter uma palavra a dizer na definição da arquitetura da plataforma da justiça que estará em funcionamento dentro de três anos.

A escolha do INESC para conselheiro na manutenção do Citius é confirmada no mesmo dia em que o Ministério da Justiça fez saber que Albertina Pedroso é a nova presidente do IGFEJ, substituindo Rui Pereira que foi exonerado na sequência dos vários problemas relacionados com a plataforma da justiça.

Exame Informática | 14-01-2015

CITIUS: Afinal de quem é que foi a responsabilidade do crash?

“A situação foi provocada por uma falha da arquitetura de sistemas do próprio processo de migração…”. Carlos Brito, declarações no Jornal das 8 da TVI, 18 de Setembro de 2014

“Os técnicos talvez não estivessem preparados para todo este processo, da mesma forma que o não estava a consultora Microsoft que foi contratada para definir a arquitectura da migração, justificou Carlos Brito…”. jornal SOL, 15-11-2014

Para além da responsabilidade pelo colapso, que é evidente, quanto é que custou o contrato com a Microsoft? Este contrato, até há bem pouco tempo, não existia na página de contratos da administração pública.

“Responsável do Citius admite novo crash”. Carlos Brito | Expresso | edição impressa, 15-11-2014

Obviamente acontecerá sempre que os responsáveis do Citius cometerem erros da dimensão dos que foram cometidos. Não é preciso ter-se uma bola de cristal para o adivinhar e não é por ser o Citius. Aconteceria com qualquer sistema de informação que fosse tratado pelos seus responsáveis como foi o Citius

MinistraJustiçaPaulaTeixeiraCruz-BraçosNoAr.jpg

 

Citius: Colapso pode voltar a acontecer…

…seguramente que sim, se os furúnculos que se alojaram, cresceram, ramificaram e ocuparam todas as áreas saudáveis do “sistema” não se continuarem a devorar uns aos outros até o último se suicidar com o próprio veneno ou, em contrapartida, não aparecer um “cirurgião” que urgentemente os remova sem deixar qualquer vestígio…

Colapso do Citius pode voltar a acontecer

Responsáveis do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça consideram que a arquitetura do Citius é deficiente e a situação que ocorreu pode voltar a acontecer e com circunstâncias muito mais graves.

Depois de terem referido que tinha havido sonegação de informação, manipulação e coação de funcionários no relatório do IGFEJ, os responsáveis do mesmo instituto acabaram por dar o dito por não dito no inquérito-crime, afirmando todos que não houve sabotagem.

O mesmo Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça que levantou as suspeitas foi afinal o responsável pelo colapso que paralisou os tribunais durante 44 dias, segundo o Ministério Público (MP).

No despacho de arquivamento do processo ao qual o jornal Público teve acesso, o procurador Pedro Verdelho, do Gabinete do Cibercrime da PGR, salienta uma ideia que “ficou claramente vincada no decurso do inquérito”, reforçando a “inexistência de crime de sabotagem: a da incapacidade do IGFEJ para conduzir, com eficácia, o processo de migração” informática dos 3,5 milhões de processos necessária ao novo mapa judiciário.

Citado no despacho do MP, o presidente do IGFEJ, Rui Pereira, que garantira à ministra que o sistema estaria a postos para a reforma judiciária, diz que “sabe agora que a migração não era viável nos moldes em que foi pensada” e que “era impossível de fazer nos prazos que foram fixados superiormente”.

Já Carlos Brito, vogal do conselho diretivo do IGFEJ e responsável pela área de informática, admitiu ao MP que “os técnicos do IGFEJ talvez não estivessem preparados para todo este processo”, que o Departamento de Arquitetura de Sistemas “não fazia a mínima ideia de como dirigir o processo” e que “haveria mesmo algum desconhecimento do sistema”.

Citados pelo Jornal de Negócios, os responsáveis pelo IGFEJ dizem saber agora que a migração em massa dos processos era impossível e que o sistema é “muito deficiente”.

“A arquitetura do Citius é muito deficiente e aquilo que ocorreu pode muito bem voltar a acontecer e com circunstâncias muito mais graves”, declarou Carlos Brito.
SAPOTek | 12-11-2014

Citius: O Relatório de Brincar a que Alguém Deu um Caminho Sério

Citius. Decisores da Justiça voltam atrás e ilibam técnicos

Declarações de responsáveis do IGFEJ_ao MP divergem do que foi defendido no relatório e provocam mal-estar no Ministério da Justiça

A decisão do Ministério Público de arquivar o inquérito aberto para apurar responsabilidades sobre o colapso do Citius terá ficado quase decidida assim que foram ouvidos os decisores do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ). Segundo o procurador Pedro Verdelho escreve no despacho de arquivamento, foi consensual – entre arguidos e responsáveis da justiça – que não terá existido sabotagem informática. O alegado volte face nas declarações dos responsáveis do instituto está a causar mal-estar no Ministério da Justiça e tanto Carlos Brito, vogal do conselho directivo, como Rui Pereira, presidente do instituto, já pediram cópias das suas declarações para verificar se o que disseram foi retirado do contexto.

O relatório do IGFEJ sobre o colapso do Citius, a que o i teve acesso, –  assinado por ambos – refere que os dois elementos da PJ Hugo_Tavares e Paulo Queirós coagiram outros elementos e sonegaram informação importante durante a migração dos processos. Porém, Calos Brito inquirido pelo Ministério Público sublinhou “ser improvável que tenha havido qualquer sabotagem informática”. “Aliás, se tivesse havido era facílimo saber-se e comprová-lo. Na verdade, há um sistema de alertas para falhas no Citius que nunca disparou fora de situações previstas”, adiantou ainda.
Será que ninguém, nem mesmo o magistrado do MP do cibercrime, consegue contextualizar o assunto?! O “crash” do denominado Citius ocorreu durante a migração de dados entre bases de dados, segundo o IGFEJ, entre 26 de Agosto e 1 de Setembro, altura em que o sistema de informação estava desligado, sublinha-se, desligado. Não ocorreu durante o seu funcionamento normal, para o qual dispõe dos mecanismos de segurança referidos. Esses mecanismos de segurança aplicam-se apenas a operações de produção, sublinha-se, produção, e não a operações de manutenção ou de migração de dados.

Também Rui Pereira, presidente do instituto, terá contrariado algumas posições apresentadas no relatório que assinou. Isto, porque apesar de o documento referir que “o Conselho Directivo do Instituto continua a defender que teria sido possível cumprir com a data de 1 de Setembro para o levantamento do Citius”, quando interrogado pelo procurador Rui Pereira assumiu expressamente que “sabe agora que a migração não era viável nos moldes em que foi pensada” e que “a migração era impossível de fazer nos prazos que foram fixados superiormente”.
Claro que “a migração não era viável nos moldes em que foi pensada” pelo IGFEJ. O planeamento foi de uma deficiência confrangedora. Confrontando o que foi feito com o que estava previsto ser executado no documento de Junho de 2012 sobre o “Planeamento para a reorganização do Mapa Judiciário”, percebe-se perfeitamente que o falhanço foi geral. Em toda a linha. Não era por acaso que existia um planeamento exaustivo para cada um dos cenários possíveis. Constata-se agora que nem 10% do previsto para o cenário seguido foi executado nos seus precisos termos.

Também não era por acaso que naquele documento existia este alerta:
“O sucesso da “operação” depende do empenhamento de todos, no âmbito das suas responsabilidades. Requer planeamento e cumprimento dos prazos a estabelecer. Esta e qualquer outra solução implicam um esforço significativo de consolidação da informação existente, resultado de mais de uma década de registos, atos e documentos. As experiências anteriores e a necessidade de garantir a integridade dos dados conduziram a propostas que dispensam sobrecarga na atividade diária dos utilizadores em momento prévio à movimentação dos processos, contudo requerem que, desde já, sejam regularizadas todas as situações que, por desconhecimento, acumulação de serviço ou outros motivos, estão pendentes no sistema, prejudicando o seu desempenho e inviabilizando a migração.”

A acrescer ao não cumprimento dos mínimos exigidos, houve ainda uma falha clamorosa: para aliviar a equipa de migração, passou-se para o lado dos cerca de 7.000 utilizadores a responsabilidade de classificação dos processos a migrar. Obviamente que este procedimento também concorreu para o resultado final. Não seria muito mais fácil recolherem-se, comarca a comarca, os critérios para a migração e ser a própria equipa de migração a implementá-los? Seguramente que o margem de erro seria muito menor e a facilidade em resolver as situações incorretas seria muito maior.

Ao i diversas fontes ligadas ao governo asseguraram que, caso ambos não consigam mostrar que as suas declarações foram retiradas, Paula Teixeira da Cruz tomará medidas que poderão passar pela saída de ambos do instituto. Ainda que oficialmente o conselho directivo do IGFEJ_não tenha querido prestar quaisquer esclarecimentos sobre este caso, o i sabe que para já estará afastada a hipótese de os decisores pedirem a  demissão.

Despacho arquivamento No despacho de arquivamento, o procurador Pedro Verdelho, titular do inquérito, considera “esclarecedor” o depoimento de Carlos Brito, transcrevendo que este afirmou que “seria muito evidente qualquer sabotagem e ficaria claro quem participou no processo, porque há uma monitorização permanente do sistema”.
O Citius estava desligado e não tem qualquer mecanismo de monitorização para migração de dados. Aliás, não tem qualquer mecanismo para migração de dados, à semelhança de qualquer sistema de informação. Se nem a própria operação de migração foi devidamente implementada e planeada, como é que foi planeada e implementada uma operação de monitorização da migração, perfeitamente lateral e acessória?

Segundo o MP, esta perspectiva foi “corroborada” pelos arguidos que, no inquérito, “negaram ter existido sabotagem, manifestaram não saber como a fazer e, ainda, não terem acesso ao sistema”. Hugo Tavares disse que “nunca teve acesso a nenhuma área do Citius”, só lhe competindo “dirigir o departamento de arquitectura de sistemas do mesmo”.
É mais do que evidente que estes dois elementos não sabotaram coisa nenhuma, para além de, objetivamente, não terem qualquer motivo para tal, também pelo simples facto de nunca se terem apercebido dos contornos, dimensão e complexidade da tarefa que tinham entre mãos.

Referiu ainda ao procurador, que o Citius tem “sistemas de alerta para ocorrências anormais” e “se, porventura, tivesse havido sabotagem haveria de haver registos em algum sítio”.
De facto o Citius tem “sistemas de alerta para ocorrências anormais”, ou seja, para quando está em produção, em funcionamento normal. Não para quando está desligado, em operações de manutenção ou de migração de dados, uma vez que estas operações, por natureza, são elas próprias anormais.

Paulo Queirós negou que tenha havido sabotagem, observando que “o processo de migração foi muito complexo e realizado num período de tempo insuficiente”, querendo com isto dizer que “o volume de migração (de processos) foi muito ambicioso”, no arranque da nova organização judiciária.
Falta de planeamento, preparação, conhecimento. Numa palavra, inconsciência.

Segundo o despacho, dos depoimentos resultam duas ideias: A da “fragilidade do Citius” e a “incapacidade do IGFEJ para conduzir, com eficácia, o processo de migração”, reforçando esta última, segundo o MP, a “ideia de inexistência do crime de sabotagem”.
Já se tentou demonstrar a diferença entre uma migração de dados e um sistema de informação em funcionamento normal. No caso, o Citius até estava desligado, não se aplicando aqui a alegada “fragilidade”. Sobre esta fragilidade de que ciclicamente se fala, que serve de escudo para todos os “percalços” que vão acontecendo, debruçar-nos-emos mais tarde, quando forem abordadas em detalhe as diversas agendas privadas que passaram nos últimos anos pelo Ministério da Justiça.

Apesar de ao longo das 18 páginas do relatório do IGFEJ os responsáveis pelo instituto terem várias vezes referido que  houve informação truncada e que os dois administrativos da PJ haviam até ameaçado membros da equipa para não relatarem aos decisores informações importantes, ao MP_Carlos Brito disse apenas que os técnicos do IGFEJ “talvez não estivessem preparados para todo este processo”, admitindo que “haveria mesmo algum desconhecimento do sistema e não exactamente incompetência”.
Não estavam preparados. De facto, o desconhecimento era de tal ordem, que não faziam a mínima ideia da dimensão e complexidade da tarefa que tinham pela frente.

A não perder os próximos capítulos. Será que perante esta situação escandalosa a Ministra da Justiça se vai demitir ou vai, de novo, pedir desculpas e dizer que voltou a ser enganada por quem subscreveu o relatório que enviou à PGR?

Citius: Dia das Bruxas…

Citiusgate

Who will be the Deep Throat?

deep
Independentemente do inquérito da PGR e do seu provável arquivamento ou do resultado de eventual processo crime, a condenação pretendida já aconteceu e quem tinha interesse nela empenhou-se em tratar de a garantir:

execravel

P.S. A vida ensinou-me que um homem só tem o direito de olhar para outro de cima para baixo para o ajudar a levantar-se…

Citius: A Migração Previsível e Expectável…

Do artigo do JN, reproduzido na íntegra no final deste post, que refere um desmentido do IGFEJ aos resultados de um inquérito efetuado pelo SFJ aos oficiais de justiça, retém-se apenas esta frase: “Os que faltam resultam do mecanismo de transferência eletrónica, que sempre se comportou desta forma instável na plataforma Citius”. Quanto ao resto, o tempo confirmará (ou não) os resultados do inquérito.

A frase “Os que faltam resultam do mecanismo de transferência eletrónica, que sempre se comportou desta forma instável na plataforma Citius”, é atribuída ao IGFEJ e revela, de facto, toda a magnitude da incompetência que presidiu às opções técnicas definidas para a migração dos processos das bases de dados dos tribunais extintos para as bases de dados das novas comarcas.

O mecanismo de transferência eletrónica a que o IGFEJ se refere foi desenvolvido em 2001 e serviu, durante mais de 10 anos, para, em casos esporádicos, perfeitamente tipificados, transferir processos entre bases de dados de tribunais diferentes (o sistema de informação era e continua a ser distribuído) ou transferir processos dentro da mesma base de dados, entre serviços diferentes. Como exemplos destas transferências temos o tribunal que se declara territorialmente incompetente ou o processo com acusação no Ministério Público que deve transitar para o tribunal judicial para ser julgado.

Em nenhum dos casos previstos naquele mecanismo para a transferência de processos é necessário transferir toda a informação do processo da origem para o destino. Caso isso acontecesse, seria disfuncional e contrariaria as regras do negócio.

No primeiro exemplo, o processo está no início e qualquer informação adicional aos dados base do processo é absolutamente desnecessária e só vai atrapalhar no tribunal/serviço de destino. No segundo exemplo, o processo está no fim e a informação específica da origem, que serviu de auxílio à sua tramitação, é desnecessária e em alguns casos já expirou, uma vez que o processo se vai converter num processo novo, com nova tramitação, no tribunal/serviço de destino. Por isso, o referido mecanismo não transfere toda a informação.

Na migração massiva da informação do Citius das bases de dados dos tribunais extintos para as bases de dados das novas comarcas, todos os processos deveriam mudar de localização e prosseguir os seus trâmites a partir do ponto em que foram deixados. Ou seja, toda a informação deveria ser migrada, um vez que o processo teria que continuar a partir do ponto em que ficou. Por isso e também pela arquitetura e modelo de funcionamento do referido mecanismo de transferência eletrónica, a operação de migração efetuada pelo IGFEJ nunca podia ser baseada naquele mecanismo. É como usar a bagageira de um carro que serve para mudar uma gaveta vazia de uma casa para outra, para mudar todo o recheio de um prédio de 20 andares que vai ser demolido. Obviamente que só parte ínfima do recheio caberia no carro e, ainda assim, metade do que se conseguisse arrumar no carro, acabaria por se perder pelo caminho. Acrescendo a isto as milhares de viagens que se teriam de fazer.

Ainda em finais de 2011 foi feita a migração de mais de um milhão de processos para reorganizar os tribunais de Lisboa e Porto e, para o efeito, foi criado um mecanismo específico, ajustado à legislação e determinações que presidiram a essa migração. A operação correu bem, como era esperado, embora ninguém se lembre dela.

Para esta migração de setembro de 2014 seria também necessário criar-se um mecanismo específico, ajustado à legislação e determinações que presidiram à migração. Mas, segundo o IGFEJ, recorreu-se ao “mecanismo de transferência eletrónica, que sempre se comportou desta forma instável na plataforma Citius”…

Será que no IGFEJ ninguém tinha noção das consequências que seguramente adviriam da opção tomada?
Será que no IGFEJ ninguém alertou ninguém para essas consequências?

 

Artigo do Jornal JN | Edição Impressa de 25-10-2014
O Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ) desmentiu ontem os resultados do inquérito a oficiais de justiça, realizado pelo Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) e divulgado no JN, que conclui que o Citius continua com falhas e que meio milhão de processos ainda não migrou para a nova versão desta plataforma informática. “O SFJ confirma todos os resultados  obtidos no inquérito”, reagiu o seu secretário-geral, António Marçal. 

Em nota enviada pelo Ministério da Justiça, o IGFEJ disse que “todos os processos assinalados pelos oficiais de justiça nos tribunais, durante o mês de julho, para migrarem para as 23 comarcas, todos, sublinhe-se, foram migrados para a nova versão do Citius”. Se alguns processos não migraram, apontou, é porque “não foram marcados para migrarem”.

O instituto também garantiu que “todas as comarcas já acedem aos tribunais extintos” e negou outras falhas, relatadas no inquérito a 133 oficiais de justiça, mas também por juízes que têm falado em público. “Não temos qualquer registo de falhas ou anomalias nas comunicações do Citius, nem tão pouco nos foram reportados ou registados incidentes sobre a lentidão nas comunicações do Citius”, afirmou o IGFEJ.

Os inquiridos também se reportaram a processos que migraram incompletos. “É falso que faltem os alarmes, agendas e notas”, desmentiu o IGFEJ, mas logo enviando um recado, aparentemente contraditório, aos oficiais de justiça que desenvolveram as primeiras versões do Citius: “Os que faltam resultam do mecanismo de transferência eletrónica, que sempre se comportou desta forma instável na plataforma Citius”.

O IGFEJ está a confirmar que não existiu nenhum mecanismo desenvolvido especificamente para a operação de migração, como era absolutamente necessário”, comentou o SFJ, acusando o instituto de confessar, assim, “a sua incompetência”. 

Segundo o SFJ, “o mecanismo de transferência eletrónica referido foi concebido para transferir, esporadicamente, processos entre tribunais (como por exemplo nos casos de incompetência territorial) e não para fazer uma migração massiva de 3,5 milhões de processos entre dois sistemas de informação”. “Para tal, era necessário planeamento e desenvolvimento de um mecanismo robusto para migração de todos os dados do processo e não apenas de alguns”, diz.